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terça-feira, 12 de abril de 2016

Hit Me With Your Best Shot, WITNESS (1985)


Este post foi escrito para a série Hit Me With Your Best Shot do blogue The Film Experience de NathanielR, sendo que é aqui apresentado em inglês, ao invés do que é usual neste blogue.


Like Zardoz before it, Witness was a film I’d never seen before Nathaniel assigned it for an episode of Hit Me With Your Best Shot. Unlike that tortuous experience though, Peter Weir’s Witness was a film I was immensely glad I got to experience. Before I watched it last weekend, I knew very little about this movie from 1985. I knew it starred Harrison Ford as a man that was forced to hide amongst the Amish, that it was the only film for which he had been nominated for an Academy Award, and that the film had actually managed to win 2 Oscars, one of them being Best Original Screenplay. 

Despite my great enjoyment of this lean thriller, I must confess that, after I watched it twice, I was immensely baffled by that last win. I can understand some admiration for the film’s sinewy, even elegant, structure, but, aside from that, I think the screenplay is clearly Witness’s greatest problem. For one, it’s full of strangely undeveloped characterizations, which becomes especially troubling when it applies to the protagonists, not to mention an undeniable incapacity to emphatically portray anyone that’s not a white, urban male. That the film’s screenplay was originally much more focused on its female lead’s perspective seems unbelievable, for example.

The peak of the script’s fragilities is its portrayal of the Amish communities, which, both in text and execution, never seem to be anything but an exotic other, to be gawked at, in wonderment, superiority or confusion. This particular aspect isn’t the sole responsibility of the screenplay, since it wouldn’t be nearly as conspicuous were the film directed by another person, other than Peter Weir. In his hands, the Amish communities seem quite distant from any sort of understandable humanity, rather they seem to be more of a beautiful living painting, a purely aesthetic phenomenon that Weir, with the considerable help of the masterful John Seale, captures in all its visual glory.

This is where I start to have issues with my own argumentation, because, while Weir’s direction only contributes to the inherent representational problem as of the screenplay, it’s also the film’s most obvious saving grace. Simply put, independently of any ideological and conceptual fragilities, Weir is a great director of cinema, and it shows. He gives Witness an elegance that it otherwise wouldn’t possess, as well as a formal magnificence that completely took me by delighted surprise.




I was completely hypnotized by the images Weir conjured, taking full advantage of having a film mostly focused on a group of people dressed in dark, similar simple costumes, in the middle of pastoral landscapes and underlit interiors. He apparently took plenty of inspiration from Flemish and Dutch painters of the 17th century, and that is quite obvious from the film’s first scenes, where an Amish funeral is presented as a Rembrandt come to life. And I may be overreaching and even projecting (art history student alert!), but a few of the most beautiful nocturnal scenes brought to mind some of George de la Tour’s work, and it was quite impossible not to think of Millet during the outside sequences spent tending to the fields, or building a barn.


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Oscars 2015/16, MELHOR FOTOGRAFIA




Mesmo que eu não concorde por completo com esta seleção de nomeados, tenho de dizer que esta é das melhores categorias nesta edição dos Óscares. Mesmo o trabalho de Robert Richardson que eu considero como o pior destes cinco, é um exemplo de imensa ambição visual.

À qualidade geral da categoria ajuda o facto que estes cinco diretores de fotografia são alguns dos melhores a trabalhar no cinema contemporâneo, sendo que três destes homens já são vencedores de edições anteriores. Richardson, que é um frequente colaborador de Quentin Tarantino e Martin Scorsese, já ganhou três Óscares pelo seu trabalho em JFK de Oliver Stone e The Aviator e Hugo de Scorsese. John Seale arrecadou o Óscar pelo seu trabalho em The English Patient, um épico situado no deserto africano com um estilo completamente distinto do filme de George Miller pelo qual este diretor de fotografia se encontra indicado este ano.

É difícil recordar o tempo, há 3 anos, em que Emmanuel Lubezki era um dos eternos injustiçados da Academia. A sua filmografia é uma coleção de triunfos geniais, sendo que as suas colaborações com Alfonso Cuáron e Terrence Malick são de particular destaque. Aliás, apesar do seu primeiro Óscar ter vindo de uma colaboração com Cuáron em Gravity, é fácil de perceber que foi a ligação estética de Lubezki ao cinema de Malick que levou o realizador de The Revenant a tanto posicionar o seu trabalho, especialmente o movimento de câmara e vistoso uso de luz natural, como componente principal do discurso visual do filme.

Do outro lado desta equação de magistrais diretores de fotografia temos Roger Deakins e Ed Lachman. O diretor de fotografia de Carol é um indiscutível mestre desta arte, sendo que o seu trabalho em Longe do Paraíso é um dos píncaros do cinema da década passada, mas entre estes dois, Deakins é quem merece finalmente levar para casa um Óscar depois da sua carreira e numerosas nomeações sem sucesso. Para além do mais, com a sua contribuição para o cinema de animação, poder-se-á afirmar que destes nomeados, apenas Deakins realmente avançou e desenvolveu a fotografia de cinema enquanto técnica e arte.




RANKING DOS NOMEADOS:



5. Robert Richardson por The Hateful Eight






Filmado em pelicula de 65mm, mais tarde exposta nos cinemas em 70mm, Os Oito Odiados é uma obra que procura reproduzir a opulência majestosa dos spaghetti westerns dos anos 60 e 70, nomeadamente as obras de mestres como Sergio Leone e Carlos Simi. O píncaro do trabalho de Robert Richardson neste filme é certamente a primeira secção do filme, situada nos exteriores nevosos do Wyoming. A escala épica das imagens conjuradas por Richardson são arrebatadoras, utilizando por completo o esplendor daquele que é o formato mais largo disponível. Quando o filme se fixa no interior da Minnie’s Haberdasherie, Richardson perde a beleza monumental do mundo natural e o formato do filme é como que posto em direto contraste com as limitações claustrofóbicas do ambiente físico. Isto é uma escolha interessante, mas as composições e a iluminação de Richardson ricas em contraluzes e esquemas artificialmente dramáticos, conferem ao filme uma debilitante teatralidade que retira dinamismo visual a toda a construção de Os Oito Odiados.