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quarta-feira, 25 de maio de 2016

Hit Me With Your Best Shot, STAR WARS: THE FORCE AWAKENS (2015)

Este post foi escrito para a série Hit Me With Your Best Shot do blogue The Film Experience de NathanielR, sendo que é aqui apresentado em inglês, ao invés do que é usual neste blogue.





This week’s Hit Me With Your Best Shot takes Star Wars: The Force Awakens as its object of study and I must confess this was an assignment I was dreading. This is a film everyone has written about in the past six months, either to praise it, analyze it, deconstruct it, and decry it as a senseless failure of cinema or a new blockbuster masterpiece. Even I have written extensively about it, with a review, several articles about its costumes and, of course, my coverage of its Oscar nominations. In summary, I do believe have nothing new to say about this particular work, and for that I beg the reader’s patience and forgiveness.

In the words of the great Meryl Streep upon being anointed a three time Oscar winner, “whatever”.


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Oscars 2015/16, MELHOR SOM



Primeiro que tudo, penso que é necessário explicar as diferenças entre as duas categorias a honrar o Melhor Som nos Óscares. Sound Editing, que se traduziria a algo como Montagem ou Edição de Som, refere-se à criação de elementos sonoros individuais, efeitos sonoros. Num filme como Star Wars: O Despertar da Força, um dos nomeados deste ano em ambas as categorias, este prémio iria reconhecer a produção dos sons dos sabres de luz, dos mecanismos, dos tiros etc. mas não a conjugação ou manipulação de todos estes elementos na sonoplastia do filme.

A conjugação dos efeitos sonoros, da música, do diálogo, do som ambiente etc. corresponde a Sound Mixing, ou Mistura de Som. Outro aspeto fulcral da mistura de som é a criação do equilíbrio ou desequilíbrio sonoro de um filme, nomeadamente em termos de volume e relevância de certos elementos sonoros na final experiência do filme. Por exemplo, quando Interstellar estreou gerou-se uma pequena controvérsia acerca do seu som, especificamente em volta de algumas sequências em que a banda-sonora estava colocada a volumes tão intensos que se sobrepunha a qualquer outro elemento sonoro, incluindo o diálogo.

Com essa explicação já feita, há que apontar como estas duas categorias, apesar das suas diferenças, raramente apresentam seleções de nomeados muito díspares. Normalmente acontece o que sucedeu este ano e apenas um par de filmes marca a diferença entre as duas coleções de filmes, sendo que este ano essas obras são A Ponte dos Espiões e Sicario.

As restantes escolhas da Academia são um usual reflexo dos gostos que os Óscares têm há muito mostrado nesta categoria, com filmes de ação cheios de tiros e explosões a marcarem uma incontornável presença. Mad Max: Estrada da Fúria e The Revenant serão, possivelmente, os grandes favoritos pela violência sensorial dos seus elementos técnicos assim como pela sua clara popularidade dentro da Academia, pelo menos aquando das nomeações.

É claro que nunca devemos subestimar um filme da saga Star Wars nas categorias de som. Será que O Despertar da Força vai alcançar o sucesso dos seus antecessores que, entre eles, arrecadaram 2 Óscares e um total de 6 nomeações nestas categorias?

Também muito dependente do seu exímio trabalho de som está Perdido em Marte, outro filme de aventura passado num ambiente espacial. Com um número de nomeações surpreendentemente pequeno em relação ao que era esperado, será que o filme de Ridley Scott conseguirá encontrar alguma vitória nestas categorias mais técnicas?

Como ambas as categorias estão tão interligadas e como já faltam poucos dias até aos Óscares e eu queria tentar conseguir examinar todos os nomeados, tirando as curtas-metragens, decidi abordar ambos os galardões e seus nomeados neste artigo.




RANKING DOS NOMEADOS (Sound Editing):



05. The Martian, Oliver Tarney


Para Perdido em Marte funcionar enquanto narrativa de sobrevivência e resiliência humana é necessário que o ambiente hostil de Marte e todo o mundo de mecanismos espaciais seja perfeitamente credível para a audiência. Esse foi o grande desafio da equipa que criou os sons para o mais recente filme de Ridley Scott, e é impossível apontar no seu trabalho qualquer fragilidade. Um trabalho sólido e musculosamente eficiente que, no entanto nunca chama demasiada atenção para si mesmo. Infelizmente, face a recentes filmes passados em ambientes semelhantes e em que o som representa uma porção muito mais vistosa da mise-en-scène, o som de Perdido em Marte consegue ser um pouco prosaico demais. Mesmo assim, há que destacar o modo como os sons do deserto marciano são imensamente convincentes e como o constante som de maquinaria a trabalhar no habitat da NASA confere ao filme um certo perigo e ameaça que de resto está maioritariamente excluído da abordagem estilística da obra, revelando nos efeitos sonoros uma curiosa precariedade mesmo nas mais avançadas construções tecnológicas imagináveis para exploração espacial.




04. The Revenant, Martín Hernández e Lon Bender

(se não querem spoilers, evitem este vídeo)

Da minha crítica de The Revenant:

“(…)é o som que se revela como o mais grandioso elemento, inundando a paisagem sonora com uma colossal densidade de pequenos sons que juntos compõem um retrato de um esmagador mundo natural que tudo envolve, afogando os elementos humanos na sua sonoridade(…)”

O mais recente filme de Alejandro Gonzalez Iñarritu é uma obra completamente obcecada em encontrar e construir um registo de realismo que exceda as normais convenções desse tipo de experiência cinematográfica. Na minha opinião, essa abordagem é maioritariamente um fracasso e incrivelmente reacionária ao trabalho de outros mestres do cinema, mas, tenho de admitir que o filme me arrebatou no que diz respeito ao seu som, com os efeitos sonoros que pintam o mundo natural com uma assustadora visceralidade a serem de particular glória.




03. Star Wars: The Force Awakens, Matthew Wood e David Acord


Sabres de luz, explosões, viagens espaciais, criaturas fantasiosas, batalhas intergalácticas, o deslizar de portas numa nave espacial...! O universo Star Wars sempre esteve recheado de maravilhosos e memoráveis efeitos sonoros e este novo episódio não foge à regra, oferecendo uma variedade de formidáveis sons que tanto tornam credível o ambiente fantasioso em que a narrativa ocorre como são um elemento essencial para alimentar a nostalgia dos fãs dos filmes anteriores. Muitos dos efeitos sonoros são, aliás, reciclados ou recriados dos filmes passados da saga, mas, para mim, isso não lhe retira mérito. Como joia da coroa desta coleção de sons tenho de destacar a maravilhosa forma de comunicação de BB-8, cujos ruídos eletrónicos são um milagre de expressividade a partir de uma linguagem limitada e conseguem emular os semelhantes sons de R2-D2 sem os imitarem por completo, injetando algum necessário rejuvenescimento à paisagem sonora da saga.


domingo, 14 de fevereiro de 2016

Oscars 2015/16, MELHORES EFEITOS VISUAIS



Tal como na maior parte das categorias técnicas, o Óscar de Melhores Efeitos Visuais é usualmente dado tendo por base o critério da quantidade e não da qualidade. Em geral, são filmes cheios de vistosos e constantes efeitos gerados por computador a alcançarem nomeações e, nos últimos anos, o vencedor é normalmente o nomeado para Melhor Filme com maior presença de efeitos.

Com tudo isso em conta, a nomeação para a equipa de Ex Machina é imensamente surpreendente e fenomenalmente deliciosa. Efeitos subtis, perfeitamente executados e apropriadamente discretos, que são empregues de modo essencial para a construção do filme em que se inserem. É uma triste raridade, mas ainda bem que a Academia se recordou desta desafiadora obra de cinema de ficção-científica.

Apesar deste aparente desgosto por efeitos visuais mais discretos, um tipo usual de nomeação nesta categoria é a de um filme de prestígio com uma sequência apoiada em vistosos e inescapáveis efeitos. Seguindo esta lógica, o Hereafter deste ano é The Revenant, que, sejamos sinceros, deve esta nomeação ao ataque de urso que despoleta todo o enredo do filme.

The Revenant está nomeado também ao Óscar de Melhor Filme, assim como outros dois nomeados nesta categoria, Perdido em Marte e Mad Max: Estrada da Fúria. Em qualquer outro ano seria de esperar que um destes três filmes arrecadasse este galardão, sendo que Perdido em Marte seria o candidato mais tradicional.

Infelizmente para as equipas desses três filmes, eu prevejo que o Óscar de Melhores Efeitos Visuais acabe por ser entregue a Star Wars: O Despertar da Força. De todas as nomeações do maior blockbuster de 2015, esta parece a mais facilmente ganha e eu duvido que a Academia perca esta oportunidade de celebrar o monumental sucesso de bilheteiras que foi este sétimo episódio da saga originalmente concebida por George Lucas.




RANKING DOS NOMEADOS:


5. The Revenant, Richard McBride, Matt Shumway, Jason Smith e Cameron Waldbauer


(apesar deste vídeo se focar na maquilhagem, é possível nele vislumbrar alguns instantes do ataque da ursa)

Sim, o ataque de uma ursa a proteger as suas crias é uma espetacular montra para os efeitos visuais de The Revenant, mas está longe de ser a apoteose dos efeitos especiais em cinema que tantos artigos na internet parecem proclamar. O modo como os movimentos de DiCaprio enquanto está ser chacinado são um milagre de engenharia cinematográfica, mas, para mim, a animação do urso deixa um pouco a desejar, com a criatura a parecer estranhamente mais fisicamente realista quando é vista estática e em pormenor do que nos seus violentos movimentos. Independentemente dessa sequência, os efeitos de The Revenant são maioritariamente impressionantes, com a ajuda de CGI a ser uma necessidade invariável para sequências tão violentas e caóticas como o ataque de nativos americanos que abre o filme. A única falha descarada desta equipa é, para mim, a queda de uma falésia dada pelo protagonista e seu cavalo, de resto este é um louvável trabalho e uma boa nomeação para um filme em que os efeitos visuais não são o principal foco da mise-en-scène.




4. The Martian, Richard Stammers, Anders Langlands, Chris Lawrence e Steven Warner


É impossível imaginar Perdido em Marte sem os seus eficazes efeitos visuais, sendo que é um imperativo para o funcionamento da narrativa que a paisagem e atmosfera marciana seja indubitavelmente credível para a audiência. Mas não é somente o planeta vermelho a demonstrar os fenomenais efeitos visuais em ação no mais recente filme de Ridley Scott, sendo que todas as cenas dedicadas à equipa da missão que deixou o protagonista sozinho em Marte são uma verdadeira explosão de efeitos visuais brilhantemente realizados, sem pirotecnias desnecessárias. De destacar está a visualização da nave com uma estrutura giratória, assim como toda a atribulada sequência do derradeiro salvamento de Mark Whatney. O único aspeto relativamente negativo que eu tenho a apontar é o modo como depois de filmes como Interstellar e Gravity, os efeitos de Perdido em Marte parecem tragicamente prosaicos e desinspirados, apesar de toda a sua abjeta eficiência.


terça-feira, 29 de dezembro de 2015

STAR WARS: THE FORCE AWAKENS (2015) de J.J. Abrams



Eu sei que devia tentar evitar spoilers mas, tendo em conta que já passaram duas semanas desde a estreia mundial do sétimo episódio da saga Star Wars e que, segundo os números do box office, parece que metade da população mundial tem vivido dentro dos cinemas a ver o filme e dar o seu dinheiro à Disney, parece-me desnecessário ter tais precauções. Com isto dito, todos os que tiverem receio de spoilers afastem-se, saiam da página, arranquem os olhos. PAREM DE LER!


Já fiz o aviso obrigatório a este tipo de críticas. Continuemos.


A razão pela qual eu coloquei esse aviso acima e pela qual eu até percebo a fobia generalizada a qualquer tipo de spoilers do enredo de Star Wars: O Despertar da Força, é que, para mim, a completa ignorância em relação ao conteúdo deste filme possibilitou-me uma das melhores experiências que tive este ano nos cinemas. Eu não sou um fã devoto da saga Star Wars, mas admito que os filmes são dos melhores exemplos de entretenimento leve e eficiente a sair de Hollywood desde o final da era dourada dos estúdios. Estou, pois claro, a falar da trilogia original e não das desastrosas prequelas, onde apenas a música de John Williams e, em dois dos filmes, os figurinos de Trisha Biggar conseguem merecer algum mérito.

O Despertar da Força é uma perfeita máquina de deliciosa nostalgia, constantemente referenciando os filmes passados e deleitando-se numa réplica da estrutura narrativa do primeiro filme de 1977, pelo que é imensamente surpreendente que o filme contenha tantos prazeres mesmo para quem não é um completo apaixonado por esse universo cinemático. Há algo de energético e inegavelmente apelativo em relação a toda a obra, que consegue captar a atenção da audiência de modo constante mesmo quando se torna previsível ou preso a fórmulas narrativas do passado. Nas mãos de um realizador incompetente (George Lucas), o guião completamente inspirado nas narrativas da trilogia original teria sido um desastre de indulgência entediante, mas, graças ao trabalho de Abrams, de toda a sua primorosa equipa técnica e do seu elenco, O Despertar da Força é dos mais prazerosos filmes à disposição de qualquer cinéfilo nestes últimos dias de 2015.

A narrativa começa 30 anos depois de O Regresso do Jedi, quando Luke Skywalker está desaparecido e os Rebeldes, agora apelidados como a Resistência, estão a lutar contra as forças malignas da Primeira Ordem (basicamente o que sobrou do Império do passado), sem o seu lendário salvador. A partir desta premissa narrativa entramos numa espécie de colagem de pedaços do enredo dos primeiros filmes, com um novo Darth Vader, o filho de Han Solo (Harrison Ford) e Leia Organa (Carrie Fisher) que se autointitula de Kylo Ren (Adam Driver), a tomar um membro da Resistência, Poe Dameron (Oscar Isaac), como prisioneiro, forçando esse herói rebelde a enviar o seu companheiro droide, o adorável BB-8, para o meio de um planeta deserto, guardando um pedaço de informação crucial para os esforços da Resistência. Basicamente é o mesmo tipo de situação que inicia o primeiro filme com Poe a ocupar a posição de Leia e BB-8 a de R2-D2.




Dameron consegue eventualmente escapar com a ajuda de um dos dois protagonistas desta nova trilogia, Finn (John Boyega), um stormtrooper com uma consciência que renuncia à tirania dos seus mestres. No entanto, os dois acabam por se despenhar no planeta deserto, onde Finn encontra BB-8 e o Luke Skywalker desta nova era da saga, Rey (Daisy Ridley).

E agora uma pequena pausa nesta descrição da história, pois há que celebrar o facto de que, pela primeira vez num filme desta saga, a grande figura heroica, a entidade salvadora de todo o Universo, o Jesus Cristo da narrativa, é uma mulher. Num franchise corroído por um sexismo crónico desde o primeiro filme, é refrescante ver um tão grande esforço em iniciar a nova era da saga com uma clara evolução nos seus valores.

Como cereja no topo do bolo, Rey é uma fantástica personagem, maravilhosamente interpretada por Daisy Ridley num papel que a deverá catapultar para o absoluto estrelato do cinema de Hollywood se tudo correr bem. Ela bem merece, assim como todo o elenco. Praticamente todos os atores são brilhantes, e todos eles são fabulosas escolhas criando uma raridade cinematográfica que é essencial para uma saga deste género, uma coleção de numerosas personagens com quem a audiência quer passar o seu tempo e com quem quer crescer.

Ridley é, portanto, uma joia de carisma e surpreendente força e potente vulnerabilidade. Boyega é um achado cómico, um perfeito herói relutante para o panorama atual onde humor pós-moderno é a escolha de eleição. Oscar Isaac é uma supernova de charme e sedutora luminosidade de estrela de cinema, tornando impossível que a audiência o ignore ou que evite apaixonar-se pelo seu sorriso matreiro e atitude obstinada atitude de herói levemente arrogante. Adam Driver pega no tipo de conflito que Lucas tentou desajeitadamente conceber para Anakin Skywalker nas prequelas e torna-o uma dolorosa realidade humana, injetando uma complexidade estonteante no que poderia ser um completo cliché. A imaturidade e fisicalidade latentes no trabalho de Driver é de particular génio.




Não são só os nomes dos atores mais jovens que merecem ser mencionados. Carrie Fisher é uma presença que é sempre bem-vinda nos ecrãs de cinema, trazendo uma bela maturidade à sua personagem envelhecida. Mas é Harrison Ford que realmente se destaca, oferecendo o seu melhor trabalho de sempre na pele de Han Solo que aqui é uma espécie de Obi-Wan Kenobi para os novos heróis. E tal como Obi-Wan, Solo perde a vida na mais discutida cena de todo o filme, às mãos do próprio filho, como que numa grotesca paródia da confrontação entre Vader e Luke.

Quem não viu o filme e continuou a ler depois do meu aviso deve estar furioso de momento.
Continuando, mesmo nos seus mais dramáticos momentos, como a morte de Solo (estou a atirar sal para a ferida?) o filme oferece uma refrescante vitalidade na sua reinterpretação, que é maioritariamente bem conseguida. As únicas exceções negativas que eu me sinto forçado a apontar é a nova Death Star, chamada Starkiller, que apenas difere das originais pelo seu tamanho, e uma sequência a meio do filme que parece ser uma reprodução quase exata do ambiente na cantina do primeiro filme.

Nem tudo é perfeito, é verdade, mas O Despertar da Força brilha nos seus melhores momentos com uma intensidade perfeita para este tipo de cinema de entretenimento. A salientar é uma sublime luta de sabres de luz, que contém em si uma dolorosa fisicalidade nunca antes vista na saga, nem mesmo no Império Contra-Ataca.




Sinceramente poderia continuar a escrever e acabar com uma crítica de 4000 palavras, mas penso que me devo conter. O filme é simples nas suas intenções, que são as de entreter e de criar uma base sólida para o desenvolvimento futuro desta nova trilogia ao mesmo tempo que homenageia o passado da saga, e faz tudo isto com uma respeitável eficiência. O filme está longe de se encontrar livre de quaisquer problemas estruturais, narrativos ou mesmo formais, mas é uma delícia de cinema, perfeito para esta época festiva para qualquer pessoa que queira ir ao cinema simplesmente para ser deliciado por um espetáculo de ação e aventura sem grandes complexidades ou problemáticas desconfortáveis. Star Wars: O Despertar da Força nunca acabará em nenhuma lista pessoal de melhores filmes de 2015, mas certamente tem um lugar na dos meus favoritos do ano, e penso que, ocasionalmente, isso pode ser mais admirável que inovação, qualidade ou invenção artística. Só ocasionalmente.